Lost vs Heroes, questões filosóficas
Ambas lidam com um mundo mais ou menos fantástico. Mas ambas utilizam essa faceta fantástica para, como seria de esperar, explorar a questão que nos paira na cabeça eternamente: o que é afinal a natureza humana.
Mas claramente o Heroes vence nesta contenda. Não só utiliza um argumento fantástico que permite explorar a questão de forma mais aprofundada, como essa exploração sai quase sempre bem. Já o Lost embora tivesse tudo para explorar a questão da natureza humana enquanto natureza eminentemente política enveredou pelo caminho da telenovela, com alguns mistérios sobrenaturais que nada têm de sobrenatural. É uma pena porque teria certamente sido giro ver a questão de outra maneira, até porque os Srs. realizadores tiveram a astúcia de introduzir subtilmente nomes de grandes filósofos políticos, que infelizmente atribuíram a personagens que correspondem muito pouco ao nome.
Voltando à questão inicial, o Heroes vem restabelecer a discussão dos talentos, da diferença entre os homens. E o restabelecer dessa discussão é importante porque na nossa sociedade democrática existe uma tendência irresistível para a igualização (Tocqueville), há a vontade generalizada de tornar tudo e todos iguais, de tornar os homens pertencentes a um único segmento social. Ora nada pode ser mais contra a natureza humana, a igualdade só o pode ser enquanto igualdade legal e não total. Ao esquecimento desta verdade vem o Heroes abrir os olhos para um problema actual, utilizando uma metáfora, e se os homens nascessem com special abilities? E o drama com que se deparam os personagens especiais é o drama com que se deparam pessoas que não sendo iguais têm que se comportar como tal. O Nathan Patrelli chega mesmo a dizer algo que faz todo o sentido: se os homens normais soubessem da existência deste upgrade humano fechavam-nos numa cela e punham-nos num jardim zoológico ou pior. Isto só faz lembrar a alegoria da caverna, os homens que vivem vendo as sombras querem matar o filosofo que vai tentar levantar-lhes o olhar para a luz…vai sempre dar ao mesmo...damos voltas e voltas mas vai sempre dar a isto!
Por outro lado o Lost, como eu já disse, em vez de pegar na oportunidade de vermos os homens perante uma das questões mais importantes em política: sem lei sem nenhuma instancia superior (mas, claro, com referencias) o que fazer com o poder? Qual a melhor maneira de se governarem? Quem toma decisões? Tentaram instituir um líder, mas isso não funcionou bem, o Jack não pode ser líder, é um chorão…depois pareceu haver uma espécie de oligarquia, o Jack o Locke, e depois o Sawyer o Sayd e de certa forma a Michele Rodriguez, mas também não funcionou bem. Ou seja, tudo aquilo é bastante irreal, nunca na vida se governariam desta forma, tão bem…nunca acatariam as “ordens” do Jack ou do Locke assim do nada, não podia ser, é irreal, governar 40 e tal pessoas não é assim tão fácil.
Mas claramente o Heroes vence nesta contenda. Não só utiliza um argumento fantástico que permite explorar a questão de forma mais aprofundada, como essa exploração sai quase sempre bem. Já o Lost embora tivesse tudo para explorar a questão da natureza humana enquanto natureza eminentemente política enveredou pelo caminho da telenovela, com alguns mistérios sobrenaturais que nada têm de sobrenatural. É uma pena porque teria certamente sido giro ver a questão de outra maneira, até porque os Srs. realizadores tiveram a astúcia de introduzir subtilmente nomes de grandes filósofos políticos, que infelizmente atribuíram a personagens que correspondem muito pouco ao nome.
Voltando à questão inicial, o Heroes vem restabelecer a discussão dos talentos, da diferença entre os homens. E o restabelecer dessa discussão é importante porque na nossa sociedade democrática existe uma tendência irresistível para a igualização (Tocqueville), há a vontade generalizada de tornar tudo e todos iguais, de tornar os homens pertencentes a um único segmento social. Ora nada pode ser mais contra a natureza humana, a igualdade só o pode ser enquanto igualdade legal e não total. Ao esquecimento desta verdade vem o Heroes abrir os olhos para um problema actual, utilizando uma metáfora, e se os homens nascessem com special abilities? E o drama com que se deparam os personagens especiais é o drama com que se deparam pessoas que não sendo iguais têm que se comportar como tal. O Nathan Patrelli chega mesmo a dizer algo que faz todo o sentido: se os homens normais soubessem da existência deste upgrade humano fechavam-nos numa cela e punham-nos num jardim zoológico ou pior. Isto só faz lembrar a alegoria da caverna, os homens que vivem vendo as sombras querem matar o filosofo que vai tentar levantar-lhes o olhar para a luz…vai sempre dar ao mesmo...damos voltas e voltas mas vai sempre dar a isto!
Por outro lado o Lost, como eu já disse, em vez de pegar na oportunidade de vermos os homens perante uma das questões mais importantes em política: sem lei sem nenhuma instancia superior (mas, claro, com referencias) o que fazer com o poder? Qual a melhor maneira de se governarem? Quem toma decisões? Tentaram instituir um líder, mas isso não funcionou bem, o Jack não pode ser líder, é um chorão…depois pareceu haver uma espécie de oligarquia, o Jack o Locke, e depois o Sawyer o Sayd e de certa forma a Michele Rodriguez, mas também não funcionou bem. Ou seja, tudo aquilo é bastante irreal, nunca na vida se governariam desta forma, tão bem…nunca acatariam as “ordens” do Jack ou do Locke assim do nada, não podia ser, é irreal, governar 40 e tal pessoas não é assim tão fácil.


3 comments:
concordo! e o problema do Lost, ék a propria serie se perdeu praí no meio da segunda temp. lol
não concordo!
Epa as personagens do Heroes são estereotipos tipicos da tv americana (os teen sex symbols, policia certinho, tipico vilão mauzão mas com frases cool, heroi inseguro, politico corrupto mas que no fundo é muita bomzinho, barbudo nuclearmente explosivo, preto politicamente correcto, etc...), são perfeitamente normais (podes não as ver todos os dias na rua mas vês na tv, pelo menos se papares as series ou filmes americanos e inevitavelmente acabares por assimilar os estereotipos que elas transmitem.)
São as personagens mais mainstream e pop que se possa imaginar. Pior que aquilo só se fossem feitas em Portugal com actores piores e se chamasse Heroes com Açucar! E no fundo para onde se caminham com o Heroes é para a igualização das pessoas. É para olhares para o politico, por exemplo (o barbudo explosivo também é um exemplo fácil eu acho) e pensares que tal como o Petrelli ele no fundo também é um granda herói e ia agarrar no irmão bomba nuclear, apesar de lá tar alguém com uma pistola que podia simplesmente parar o gajo e pô-lo a dormir por umas horas.
E sendo personagens estereotipadas (à Americana) não consigo ver mensagem nenhuma de sermos todos diferentes mas devermos ter direitos iguais. Se me falares nos X-men de quem os Heroes roubaram tantas ideias? Epa tá bem... até lá estará aquilo q estás a dizer. Fora a parte das cavernas que foi complexa demais para mim perceber claro. Agora no Heroes... nunca na vida!
Até porque, em ultima instância, tamos a falar duma série americana produzida por uma grande cadeia americana. E a típica estratégia americana para a cultura é massificar. É fazer coisas que até um atrasad... que até um americano típico do interior do país possa perceber e se identificar, e logo gostar de.
A mensagem do heroes seria portanto bastante mais a tendência irresistível para a igualização.
Muita bem xiken, tens aí um ponto que eu não tinha pensado. Acho que tens razão. Eu refería-me mais à confrontação dos heroes com resto do pessoal, e aí há claramente um drama. Mas de facto se encararmos os heroes enquanto uma nova comunidade de homens, isso que dizes faz todo o sentido, eles são simlesmente um upgrade, mas volta tudo ao mesmo
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